A AdMob divulgou recentemente a última versão do seu relatório de métricas móveis, com dados coletados em janeiro de 2010 sobre o mercado de smartphones. Um dos destaques da pesquisa foi a emergência do iPhone OS e do Android como as plataformas móveis que mais fazem requisições de anúncios através da empresa por diversos aplicativos, absorvendo juntas praticamente 70% do tráfego.
Na última edição do relatório, você também encontrará comparativos entre diversos sistemas móveis sobre a média de aplicativos de terceiros obtidos online, bem como comparações entre eles por gênero e idade. Entre dezembro e janeiro, a AdMob foi quem mais coletou dados sobre usuários de smartphones com suas peças publicitárias, que tiveram cerca de 15,2 bilhões de impressões.
Por algum motivo qualquer, são poucos os aplicativos que apresentam inovações para melhorar a experiência de compra de um consumidor em dispositivos móveis, mas por outro lado, isso vem cedendo espaço para alguns exibirem avanços nessa área. Alguns exemplos deles puderam ser constatados hoje, quando a gigante de buscas Google anunciou um novo produto chamado Shopper, que possibilita o reconhecimento de produtos e a comparação de seus preços em múltiplas lojas, através de smartphones.
Exclusivo para Android, o aplicativo faz largo uso de tecnologias de reconhecimento de imagem para identificar livros, CDs, DVDs e até jogos, através da câmera dos aparelhos baseados na plataforma. Para outros produtos, ele ainda é capaz de reconhecer códigos de barras (algo que até hoje só se encontrava em programas desktop, como o Delicious Library) e mostrar informações sobre o produto da mesma forma, incluindo opiniões de usuários e preços em múltiplas lojas.
Com um produto focado a consumidores que oferece tais recursos gratuitamente, usuários se sentirão mais motivados a comprar online através dos seus smartphones, em qualquer lugar. Seria mais interessante, contudo, que empresas de comércio eletrônico ou grandes lojas de apartamentos adaptassem soluções desse mesmo gênero de forma a mostrar resultados adaptados aos seus próprios produtos e serviços, oferecendo uma imagem sólida para clientes comprarem com maior confiança.
Ao liberar a sua última pesquisa trimestral sobre o mercado de telefonia móvel, a Gartner afirmou que o iPhone OS tomou o lugar do Windows Mobile no ranking mundial e agora é o terceiro maior sistema móvel do mundo — ele já estava entre os três maiores nos Estados Unidos, porém. Um dos fatores que contribuíram para isso foi o crescimento significativo das vendas (que praticamente dobraram entre 2008 e 2009), fazendo a participação da plataforma móvel da Apple no setor crescer de 8,2% para 14,4%.
Outro sistema móvel destacado na pesquisa foi o Android, cuja participação no setor cresceu de 0,5% para quase 4%. Aqui, também foi constatado um aumento significativo nas vendas, que foram praticamente dez vezes maiores em 2009 do que foram em 2008.
Desconsiderando a continuidade do sucesso de sistemas móveis como o BlackBerry OS, é interessante notar que o mercado mundial está começando a desviar a maior parte da sua atenção para as plataformas mais inovadoras, que oferecerem melhores combinações de software/serviços e maiores oportunidades para desenvolvedores de terceiros. A tendência é que as plataformas móveis mais antigas no setor continuarão a ceder espaço para o crescimento do iPhone OS, do Android e também do BlackBerry OS, enquanto não oferecem fatores de evolução que possam voltar a despertar interesse do mercado consumidor.
Por anos, o mercado tentou popularizar um modelo de computadores que pudesse ser operado livre da tradicional interação entre teclado e mouse que surgiu nos anos 80, mas nunca houve tanta atenção voltada para eles quanto agora, em 2010. Com o iPad, tablets estão começando a parecer algo diferente do que os antigos produtos da mesma categoria que tinham um estilo muito voltado a computadores, unindo os seus recursos extras que expandem as possibilidades em mobile com a simplicidade de um smartphone convencional aplicada a um computador.
O que está causando uma certa dúvida sobre o sucesso de gadgets como o iPad é o fato de que ela não assume todas as funções de um computador como conhecemos em um dispositivo móvel, pois as pessoas se habituaram a ver netbooks como produtos ultraleves que rodam sistemas desktop. Contudo, produtos como a tablet da Apple chegam ao mercado para tentar provar que uma boa convergência entre mobile e um computador convencional não está fundamentada em um notebook comum em menor tamanho, sem oferecer nenhum tipo de experiência de uso aprimorada para uso em qualquer lugar ou para certas tarefas.
Em certas situações, muita gente está vendo a necessidade de optar pelo uso de um gadget que fique entre um laptop e um smartphone. Tablets são um bom exemplo disso, pois contam com um espaço de tela muito maior para ser aproveitado por desenvolvedores de aplicativos, entregando mais recursos com uma boa experiência de uso para usuários comuns. Não precisa ser avançado; não precisa ser uma extensão total e definitiva de um desktop. Porém, ele precisa ser capaz de entregar os recursos que importam nos aplicativos desktop em um formato intuitivo para ser usado em qualquer lugar, e não há melhor jeito de conseguir isso do que através de um produto em que é possível interagir com os dedos, naturalmente.
Acredita-se que o iPad entregará isso para diversos mercados em potencial, conseguindo atender as necessidades dos usuários para um número considerável de tarefas. Aproveitar o seu uso para exibição de conteúdo multimídia é apenas uma das suas utilidades, que também incluem uma excelente experiência para leitura de livros/acesso à web, entretenimento digital e muitas outras, que podem abranger áreas específicas como educação, negócios, saúde e produção editorial.
Com o anúncio oficial do iPad, pudemos constatar que o interesse de empresas por aplicativos destinados à App Store voltou a crescer significativamente, mas a tendência é que, com um gadget oferecendo possibilidades de desenvolvimento bem maiores que os atuais smartphones que conhecemos, novas possibilidades de software e serviços sejam oferecidas tirando proveito das suas capacidades extendidas. Um exemplo disso são propostas de produtos que visam unir o melhor do conteúdo impresso com o melhor do mundo digital, algo que mudará completamente a distribuição de livros, jornais e revistas como conhecemos.
A Apple terá o seu próprio aplicativo de livros digitais na App Store vinculado à sua própria loja, a iBookstore, concorrendo com milhares de produtos destinados a cumprir uma tarefa similar no iPad. Jornais, como o famoso The New York Times, também estão preparando para tablets com seus próprios aplicativos nativos para leitura de notícias. Entretanto, ninguém havia pensado em dar uma visão clara de como revistas se comportarão quando exibidas em tablets, até a famosa revista Wired aliar-se com a Adobe para produzir uma demonstração real do seu conteúdo em formato digital, que pode ser assistida no vídeo acima.
Os executivos da revista acreditam que tablets representam uma excelente oportunidade para publicações periódicas, mas ao mesmo tempo, é importante que a fidelidade de leitura do conteúdo como um impresso comum seja mantida no novo formato. É aqui onde a parceria com a Adobe se torna destaque, pois a futura edição das suas ferramentas de desktop publishing suportam a distribuição do mesmo produto final destinado à gráficas em um formato digital que pode conter ainda vídeo e animações, podendo ser manipuladas em uma interface sensível ao toque.
“Estamos entrando numa nova era da comunicação, onde finalmente temos uma plataforma digital que nos permite manter todos os recursos visuais avançados da impressão (desde pródigos desenhos à gloriosas fotografias) enquanto o enriquecemos com vídeo, animações, mais conteúdo e interatividade”, disse Chris Anderson, um dos redatores da Wired. A revista é uma das primeiras a explorar as possibilidades de distribuição digital do seu conteúdo para tablets, mas esse um mercado em que ainda há enormes possibilidades de inovação — só faltam editoras que se interessem por elas em massa.
Uma descrição completa sobre o processo de criação do aplicativo da Wired pode ser lido em seu próprio site.